Corações acelerados associados a maior mortalidade

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A contagem dos batimentos do coração é um dos sinais vitais básicos, e é medido em batidas por minuto.  Considera-se normal para o ser humano uma frequência cardíaca (FC) de 50 até 100 batimentos por minuto, em repouso. Podemos realizar esta medida no pulso, na artéria carótida (no pescoço), diretamente sobre o peito com estetoscópio, através de alguns aparelhos de pressão automáticos e com eletrocardiograma ou oxímetro de pulso. Alguns modernos smartphones também realizam esta medida.

Há muito tempo difunde-se a idéia de que não é bom ter os batimentos do coração em repouso muito elevados, perto do limite superior (próximo de 100 bat/min), pois isso traria prejuízos à saúde. Esta idéia decorre pelo menos em parte da observação do que se constata em outros mamíferos: de uma maneira geral, aqueles animais que têm FC mais alta (ratos, camundongos) levam uma vida muito mais curta do que aqueles que têm FC mais baixa (baleias, elefantes, cavalos).  Na média, os mamíferos sobrevivem durante 730.000.000 batimentos cardíacos – quem tem FC mais alta, morre antes.

Assim, muitas pesquisas já foram feitas para averiguar se essa correlação também é válida para humanos. E agora, o Jornal da Associação Médica Canadense publicou uma meta-análise de todos estudos em humanos a este respeito e já publicados (em inglês ou chinês). No total, foram 46 estudos, que, somados, abrangeram mais de 2 milhões de indivíduos.

Os resultados mostram que, na média, para cada 10 batimentos por minuto a mais, a chance de morte aumenta em 9%. Mesmo dentro da faixa normal de batimentos.

A frequência cardíaca mais baixa na média era 45 batimentos por minuto, e estas foram as pessoas que menos morreram. Então, quem tinha FC entre 60-80 batimentos estava 12% mais propenso a morrer (morte por qualquer causa) e 8% mais propenso a morrer do coração. Para os indivíduos com FC basal acima de 80 por minuto, a chance de morrer foi 45% maior, e a chance de morrer por causa cardiovascular 33% maior.

Estes resultados permaneceram inalterados quando analisados levando-se em consideração outros fatores de risco para morte e eventos cardiovasculares, como tabagismo, prática de atividade física, pressão arterial, etc.

Os resultados indicam que ter um coração batendo lentamente é um sinal de que ele vai bater por muito tempo. Resta saber se reduzir artificialmente os batimentos do coração (objetivo muito fácil de ser alcançado com medicamentos simples) pode fazer uma pessoa viver mais.

 

 

Fontes:

http://www.cmaj.ca/content/early/2015/11/23/cmaj.150535.full.pdf

http://www.medscape.com/viewarticle/855013

http://content.onlinejacc.org/article.aspx?articleid=1138437&resultClick=3

 


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