Duas pontes de mamária não são melhores do que uma

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Pelo menos após 5 anos de acompanhamento, segundo estudo novo apresentado nas sessões da Associação Americana do Coração.

Na tradicional cirurgia de revascularização miocárdica, mais conhecida como “cirurgia de pontes de safena”, o paciente que sofre de entupimentos nas artérias coronárias do coração recebe desvios para passagem do sangue, a fim de levar oxigênio até as regiões do coração que estão sofrendo por falta deste nutriente. Os desvios podem ser feitos utilizando segmentos da veia safena da perna (em roxo na figura) ou utilizando-se a artéria mamária (em vermelho), que normalmente corre logo abaixo das costelas, na frente do coração; nessa operação, a extremidade da mamária esquerda é desviada para o coração.

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Sabe-se há décadas que a durabilidade destas pontes de mamária é muito melhor do que a das pontes de safena. Porém, tradicionalmente, utiliza-se apenas a artéria mamária esquerda para este fim, e, quando o paciente precisa de mais pontes, as outras são feitas com safena.

A artéria mamária direita existe, porém, mas normalmente é poupada para evitar falta de sangue na região das costelas e no osso esterno, onde é feita a o corte cirúrgico para lidar com o coração; além disso, sua utilização é tecnicamente mais difícil, por estar um pouco mais distante do coração.

Mesmo assim, alguns cirurgiões realizam duas pontes de mamária na cirurgia de revascularização, usando tanto a mamária direita como a esquerda, esperando com isso obter melhor durabilidade a longo prazo. O uso de duas mamárias ocorre em cerca de 10% das cirurgias na Europa, menos de 5% das cirurgias nos EUA e até 60% das cirurgias na Ásia.

Agora, um estudo inglês averiguando esta prática foi apresentado.  Mais de 1500 pacientes que realizaram cirurgia de revascularização miocárdica foram sorteados para receber uma ou duas pontes de mamária, e depois foram acompanhados por 5 anos a fim de observar-se os resultados.

Depois de 5 anos de seguimento, a chance de morte foi 8,7% com o uso de duas mamárias de 8,4% com uma mamária, números extremamente semelhantes. E somando-se à chance de morte a chance de infarto ou “derrame”, também houve empate técnico: 12,2 x 12,7%. Portanto, a alegada vantagem no uso de 2 mamárias não foi demonstrada em 5 anos.

Em relação aos efeitos colaterais, a chance de complicações na ferida do osso esterno foi 84% maior com o uso de 2 mamárias. Estas complicações, porém, ficaram praticamente restrita aos pacientes obesos ou diabéticos.

Assim, o resultado deste estudo indica que não há benefício, mas sim malefício, em se realizar duas pontes de mamárias. Porém, os pacientes continuarão sendo acompanhados, e existe a suposição de que, com o passar dos anos, talvez daqui a 10 ou 15 anos, as pontes de safena estarão fechadas e as de mamárias ainda abertas; caso esta expectativa se concretize, os pacientes que receberam 2 mamárias provavelmente passarão a ter um benefício tardio.

O tempo dirá qual a melhor estratégia, mas em 5 anos não há vantagem em 2 pontes.

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/871890


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