ENTÃO O CHIMARÃO CAUSA CÂNCER?

chimarrao

A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC) braço da OMS, estuda e investiga intensamente causas de câncer no mundo todo, e classifica as substâncias de acordo com sua chance de causar câncer em:

  • Grupo 1: carcinogênico para humanos (com certeza causam câncer)
  • Grupo 2A: provavelmente carcinogênico
  • Grupo 2B: possivelmente carcinogênico
  • Grupo 3: não classificável como causador de câncer
  • Grupo 4: provavelmente não carcinogênico

A nova publicação da IARC traz mudanças na classificação de duas substâncias de bastante interesse: chimarrão e café.

25 anos atrás, o café foi classificado como 2B (possivelmente causador de câncer), mas uma grande quantidade de estudos publicados nos últimos anos fez a IARC “rebaixar” sua classificação para grupo 3 (não é suspeito de causar câncer).

Já para o chimarrão, o movimento foi diferente: ele passou a ser classificado como 2A (provavelmente causador de câncer), mas devido à alta temperatura em que costuma ser ingerido, e não pela composição do mate. Importante salientar que não há certeza, apenas uma forte possibilidade, baseada em estudos que mostraram maior incidência de câncer de esôfago em regiões do mundo onde há o hábito de ingerir bebidas muito quentes (em temperaturas médias de 70 graus) e estudos em animais que mostraram evidências limitadas desse efeito. O risco começaria a partir de 60 graus de temperatura.  Estudo realizado em Taquara, no RS, determinou que a temperatura média do chimarrão consumido em 36 residências era de 63 graus, dentro da faixa de risco, portanto.

Quanto ao mate (não quente), ele foi classificado como grupo 3 (provavelmente não cancerígeno). O texto diz: “…mate a temperaturas que não são muito quentes…”.

Assim sendo, até que surjam mais evidências, parece prudente evitar o chimarrão muito quente. Abaixo de 60 graus já é quente suficiente para manter a tradição gaúcha. Salienta-se que as causas mais importantes de câncer de esôfago continuam sendo o tabagismo e a ingesta de bebidas alcóolicas.

Fontes:

http://www.iarc.fr/en/media-centre/pr/2016/pdfs/pr244_E.pdf

http://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(16)30239-X/fulltext

Arq. Gastroenterol. [online]. 2000, vol.37, n.1, pp.25-30. ISSN 0004-2803.  http://dx.doi.org/10.1590/S0004-28032000000100006.


 


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