Esfriando Pacientes com Infarto

Há vários anos a medicina aprendeu que resfriar o corpo humano costuma proteger o indivíduo dos danos oriundos da falta de oxigenação. Isto mostrou-se verdade para crianças que afogam-se em águas geladas, que podem sobreviver sem sequelas mesmo após longos períodos submersas, e já foi aplicado com sucesso em UTIs, em pacientes que sobrevivem a determinados tipos de paradas cardíacas. Tais pacientes são “esfriados” rapidamente e mantidos em baixas temperaturas por 48 horas, sendo que este procedimento reduz o risco de sequelas neurológicas.

A nova fronteira das terapias de hipotermia é o infarto do miocárdio. Como se sabe, nesta patologia uma parte do coração fica abruptamente sem fluxo de sangue, devido à obstrução de uma das suas artérias. Então, esta parte do coração passa a necrosar (morrer) lentamente, durante até 10 ou 12 horas, e depois disso temos uma necrose irreversível. Metade das vezes, o paciente morre durante este processo.

A melhor terapia disponível para este tipo de infarto é a angioplastia primária, que consiste na introdução de cateteres dentro do coração, o mais rapidamente possível, durante as primeiras horas do infarto, para desobstruir a artéria bloqueada, levando sangue (e oxigênio) novamente para aquela parte do coração que está infartando. Este procedimento interrompe o infarto, tornando-o muito menor e salvando vidas. Porém, é inevitável que ocorra necrose de parte do coração, mesmo assim.

Então, pesquisadores resolveram testar a hipótese de que esfriar o corpo de pessoas com infarto agudo reduziria o tamanho do infarto, e isso levaria a uma melhor evolução. Os primeiros resultados do estudo, chamado CHILL-MI, foram apresentados há 2 semanas, em São Francisco, no 25º Simpósio Anual Científico de Terapêutica Cardiovascular Transcateter.

Os pesquisadores sortearam 120 casos de infartos a serem tratados com angioplastia primária para receberem ou não o resfriamento (hipotermia). Para induzir a hipotermia em  metade dos pacientes, um catéter injetou soro gelado no paciente durante o procedimento. A temperatura média atingida nestes indivíduos foi de 34,7 C. Ao final, foi analisado o tamanho dos infartos em todos pacientes e comparados os resfriados com os não resfriados. Os resultados mostraram que os pacientes que submeteram-se à hipotermia tiveram infartos menores. A diferença foi especialmente importante nos infartos da parte mais anterior do coração (os infartos maiores).

Assim, os autores vão seguir pesquisando o assunto, e talvez em breve este tipo de tratamento seja rotina no atendimento do infarto: pacientes sendo resfriados por máquinas para melhorar suas chances de sobrevivência.


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