Estamos vivendo cada vez mais, mas vale a pena?

Sabe-se que a expectativa de vida segue aumentando no mundo desenvolvido, sendo cada vez mais comum o convívio com nonagenários. Porém, muitos questionam se estes anos de vida a mais valem a pena, ou se seriam apenas anos a mais de sofrimento por doenças debilitantes.

Para responder essa interessante questão, pesquisadores do Reino Unido compararam dados de 1991 com os de 2011 em três regiões diferentes da Inglaterra, para pessoas com 65 anos de idade ou mais. A fim de traduzir para números a qualidade de vida destas pessoas, foram utilizados três parâmetros:

  • Estado de saúde sob a perspectiva da própria pessoa: poderia ser excelente/boa, média ou ruim.
  • Déficit cognitivo: poderia ser nenhum, leve ou moderado/severo (definido por um “mini exame do estado mental”).
  • Dificuldade para as atividades físicas do dia-a-dia: poderia ser nenhuma, leve ou moderada/severa.

Então, para estado de saúde, estado mental e estado físico havia três possíveis classificações para cada indivíduo.

Os pesquisadores relataram que, no período analisado, a sobrevida média das pessoas com 65 anos de idade ou mais aumentou 4,5 anos para homens e 3,6 anos para mulheres, nas regiões estudadas. Os ganhos obtidos pelos idosos de 2011 foram:

  • Estado de saúde: 3,8 anos a mais com saúde excelente/boa para homens, e 3,1 anos para mulheres.
  • Déficit cognitivo: 4,2 anos a mais sem déficit cognitivos para homes, 4,4 para mulheres.
  • Dificuldade para atividades do dia-a-dia: 2,6 anos a mais com nenhuma dificuldade para homens, e 0,5 anos a mais para mulheres.

Ou seja, os anos a mais de vida traduziram-se em grande parte em anos a mais de boa saúde e sem déficits cognitivos, porém a maior parte dos anos a mais de vida foram com alguma dificuldade física para as tarefas diárias (geralmente dificuldades leves). A causa mais provável para esse último achado é a epidemia de obesidade.

Aparentemente, vale a pena viver esses anos a mais.

 

Fonte: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(15)00947-2/abstract


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