ISQUEMIA CEREBRAL CAUSADA POR ARRITMIA

Quando um paciente sofre um AVC ou isquemia cerebral, é de suma importância que o médico detecte qual foi a causa do AVC, a fim de que se possa prevenir a ocorrência de outro AVC. Se a causa não for identificada, existe grande risco de que o paciente venha a sofrer outro AVC, muitas vezes devastador.

Infelizmente, os exames realizados rotineiramente nem sempre conseguem detectar a causa do AVC. Até 30-40% dos pacientes ficam sem motivo definido para a isquemia cerebral, e não fazem, portanto, tratamento preventivo.

Uma das causas mais frequentes de AVC é uma arritmia cardíaca chamada de fibrilação atrial. Esta arritmia é facilmente identificável com um eletrocardiograma (ECG), desde que ele seja feito durante a arritmia. Porém, em grande parte das vezes, esta arritmia ocorre de forma intermitente. Ou seja, o paciente encontra-se com arritmia apenas algumas horas por dia, ou apenas alguns minutos por dia, ou até mesmo em episódios que ocorrem uma vez por semana ou uma vez por mês. Em todos estes casos, a arritmia causa AVCs, mesmo que ela ocorra muito esporadicamente. Como já existe um tratamento efetivo para evitar AVCs decorrentes desta arritmia (medicamentos anticoagulantes), é de suma importância detectar a arritmia, mesmo que ela ocorra ocasionalmente.

O famoso periódico médico New England Journal of Medicine publicou 2 artigos diferentes que mostram a importância de “buscar” o diagnóstico de fibrilação atrial em pacientes que sofreram AVC sem causa aparente. Em ambos os estudos, pacientes recuperados de AVC (cuja causa não foi identificada) receberam monitores cardíacos especiais, portáteis, que registram os batimentos do coração durante 24h por dia, em casa, a fim de procurar por episódios ocultos desta arritmia (fibrilação atrial). Na verdade, metade dos pacientes recebeu o monitor, e a outra metade dos pacientes serviu como grupo controle.

No primeiro estudo (EMBRACE), os pacientes usaram o monitor por 30 dias e isto resultou em diagnóstico de fibrilação atrial em 16% dos indivíduos, contra 3,2% nos pacientes que usaram os exames usuais. No segundo estudo (CRISTAL-AF), os dispositivos foram implantados sob a pele dos pacientes, determinando uma monitorização mais prolongada, de anos. Nos pacientes com tal dispositivo, 12,4% registraram a arritmia em 1 ano, e 30% em 3 anos, contra 1,4% nos pacientes com exames usuais.

Ou seja, a fibrilação atrial está presente, mas oculta, em grande parte dos pacientes que sofreram um AVC isquêmico sem causa definida. Cabe aos médicos a tarefa de procurar exaustivamente tal arritmia, visto que ela possui tratamentos extremamente eficazes. Em nosso meio, os dispositivos de monitoramento prolongado (30 dias ou mais) ainda não estão disponíveis, mas já estão em uso monitores de 72h (http://cordialexames.com.br/exames/), que podem ser utilizados repetidas vezes, até que se registre a arritmia em questão.

 

Fonte: http://www.medscape.com/viewarticle/827346

 


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