MASSAGEM CARDÍACA FEITA POR LEIGOS É DE GRANDE AJUDA

A manobra de massagem cardíaca, utilizada para manter função de “bomba” do coração durante episódios de parada cardiorrespiratória, não precisa ser realizada por pessoas treinadas para obter bons resultados; o que realmente importa é que seja realizada precocemente, por qualquer pessoa que esteja por perto. Pelo menos é o que mostram os resultados de dois estudos diferentes publicados no Jornal da Associação Médica Americana.

O primeiro estudo, realizado na Carolina do Norte (EUA), analisou os resultados do atendimento de 4961 pacientes que sofreram parada cardíaca fora de hospitais, entre 2010 e 2013; no início deste período, 14% dos casos de paradas cardíacas recebiam atendimento por pessoas que estavam por perto, índice que subiu para 23% no final do acompanhamento; este aumento deveu-se a campanhas educativas realizadas na região.  A chance de o paciente sobreviver ao evento e depois ter alta hospitalar foi de 15% para os casos atendidos primeiramente pelas equipes de emergência treinadas, e de 33% para os casos em que o primeiro atendimento foi prestado por pessoas que estavam por perto, uma diferença altamente significativa.

O segundo estudo vem do Japão, com um registro semelhante, realizado entre 2005 e 2012, no país inteiro, totalizando 167.912 participantes. Assim como nos EUA, o número de pacientes que foram atendidos por transeuntes aumentou durante o período do registro, de 38 para 51%, refletindo campanhas de educação sobre atendimento de parada cardíaca.  O atendimento por transeuntes aumentou em 52% a chance de sobrevivência com funções cerebrais intactas.

Desta forma, mesmo sabendo que equipes treinadas de primeiros-socorros possuem técnicas melhores de reanimação destes pacientes, o fator crucial continua sendo o tempo. Quanto mais tempo entre a parada cardíaca e o atendimento, menos chances de sobrevivência. Portanto, a massagem cardíaca feita por uma pessoa não-treinada, mesmo que não seja a ideal, é de grande valia, se feita precocemente.

Informe-se sobre como fazer o procedimento e esteja preparado para quando for necessário; a figura abaixo mostra a técnica mais adequada, e a recomendação atual é de fazer somente a massagem cardíaca, sem “respiração boca-a-boca”; a massagem deve ser ininterrupta, em velocidade alta (mais de 100 movimentos por minuto) e o peito do paciente deve afundar pelo menos 5 cm na massagem, depois permitindo-se o retorno total do tórax antes do próximo movimento. Não tenha medo de tentar, pode ser que esta massagem faça toda a diferença para a vida de outro.

Fontes:

http://www.medscape.com/viewarticle/848788

http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2397833

http://jama.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2397835

http://cientifico.cardiol.br/cardiosource2/cardiologia/int_artigo29.asp?cod=157 

 

 


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