Proteínas animais x vegetais

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A alimentação do ser humano consiste basicamente de 3 elementos: gorduras, proteínas e carboidratos. Proteínas são os principais “blocos de construção” dos quais nossos corpos são feitos, e necessitamos de um aporte regular delas. As fontes nutricionais de proteínas em nossa dieta podem ser:

 

  • Animais: leite, derivados do leite, ovos, carnes e carnes processadas.
  • Não-animais: feijão, lentilha, grão de bico, soja, quinua, arroz, espinafre, abacate, tofu, ervilhas, brócolis, caju, e dezenas de outras.

 

Muito se discute sobre qual seria a fonte proteica mais saudável, se os vegetarianos levam vantagem por não consumir proteína animal ou se os mais “carnívoros” teriam saúde melhor. Porém, a opinião preponderante é a de que devemos preferir a proteína não animal (vegetal).

A maneira ideal de abordar esta (e muitas outras) questão nutricional seria realizando um grande estudo prospectivo, onde milhares de pessoas seriam sorteadas para seguir uma dieta de proteína animal ou vegetal, por décadas, para que depois se analisasse o que aconteceu com cada um dos dois grupos. Obviamente, porém, tal tipo de estudo não é factível na prática.

 

Pois agora, o muito prestigiado periódico médico JAMA publicou um grande estudo observacional a respeito do assunto. Nesse tipo de pesquisa, ao invés de sortear indivíduos para comer um ou outro tipo de alimento, milhares de pessoas foram entrevistadas para que se registrasse o que elas comem, e depois tais pessoas foram acompanhadas por vários anos para observar o que aconteceu com elas. Nesse caso especificamente, foram 131.342 pessoas acompanhadas por 26 anos, à procura de casos de morte e casos de doença cardiovascular.

Os resultados mostraram que, neste grande grupo, em média, 14% da energia alimentar foi oriunda de proteínas animais, e 4% de proteínas vegetais.

Comer mais proteína animal NÃO esteve relacionado a uma chance maior de morte; porém, comer mais proteína animal esteve associado a um risco maior de doença cardiovascular.

Já para proteínas vegetais, consumir mais delas esteve associado a uma chance MENOR de morrer e uma chance MENOR de sofrer doenças cardiovasculares.

 

Interessantemente, os autores dividiram os indivíduos em 2 grupos: um grupo mais saudável e outro menos saudável, onde era mais comum o comportamento sedentário, abuso de álcool, uso de tabaco, etc. Os resultados descritos acima (favorecendo o consumo de proteína vegetal) permaneceram significativos apenas no grupo de comportamento não-saudável. Para as pessoas com hábitos gerais saudáveis, comer proteína animal ou vegetal não trouxe diferenças.

Por último, os autores estimaram o que aconteceria se uma pessoa trocasse 3% da energia de sua alimentação de uma das fontes de proteína animal citadas abaixo por proteína vegetal:

 

  • Peixes: quando 3% da dieta deixam de ser peixes e passam a ser proteína vegetal, há uma redução de 6 % no risco de morte.
  • Ovos: quando 3% da dieta deixam de ser ovos e passam a ser proteína vegetal, há uma redução de 19% no risco de morte.
  • Carnes não processadas: idem, 12%.
  • Carnes processadas: idem, 34%.
  • Carne de aves: idem, 6%.
  • Laticínios: idem, 8%.

 

Infelizmente, a natureza observacional do estudo impede conclusões definitivas, mas podemos extrair algumas mensagens:

 

  • Carne processada parece mesmo tóxica (leia-se: salsichas, presuntos, mortadelas, patês, nuggets, etc.).
  • Para quem tem hábitos saudáveis, parece haver mínima diferença entre comer mais proteína animal (carne, ovos, leite) ou vegetal.
  • Para quem não costuma ter hábitos saudáveis, comer mais proteína vegetal parece uma boa opção para contrabalançar a falta de cuidados.

Fonte:

http://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/article-abstract/2540540


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