QUAL A MELHOR MANEIRA DE MEDIR A PRESSÃO ARTERIAL?

Há décadas os médicos e a população sabem que a pressão arterial elevada (hipertensão) é muito perigosa, e seu tratamento adequado previne enormemente as complicações.

A pressão arterial pode ser medida no consultório pelo médico, ou em casa pelo próprio paciente. Ao contrário do que muitos pensam, a medida realizada pelo médico no consultório não resulta nos mesmos valores do que a medida realizada pelo próprio paciente em seu domicílio, mesmo sendo ambos aparelhos perfeitamente calibrados. Alguns pacientes têm medidas mais baixas no consultório, outros em casa. Para complicar mais ainda, existe um terceiro método comum de medir-se a pressão, que dá resultados diferentes dos dois anteriores: trata-se do MAPA (Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial), realizado por um aparelho automático, com dezenas de medidas ao longo de 24 horas (http://cordialexames.com.br/exames/).

Então, em muitos casos, o médico vê-se diante de uma dificuldade ao analisar as diferentes medidas de pressão do paciente e decidir o que fazer: qual a medida mais confiável? Ou, mais importante ainda, qual a medida que realmente determina perigo?

Para esclarecer esta questão, o mais importante é determinar qual das 3 medidas tem mais relação com os eventos cardiovasculares futuros que a pessoa possa desenvolver. A melhor maneira de fazer isto seria, em um grupo grande de indivíduos, medir a pressão usando os três métodos diferentes, anotar todos resultados, e depois observar o que acontece com estes indivíduos a longo de muitos anos de acompanhamento. Assim, pode ser definido qual dos três métodos é o melhor para prever complicações, e portanto, para guiar o tratamento. Tais estudos são muito demorados de se realizarem, porém  o periódico médico Hypertension publicou um estudo exatamente assim, de grande importância. Pesquisadores finlandeses relataram os dados de 502 pessoas que tiveram sua pressão arterial aferida pelos 3 métodos, de maneira rigorosa e exata, entre 1992 e 1996, e foram acompanhadas por 16 anos.  Após este longo período, 70 pacientes (14% do total) haviam sofrido infarto, derrame, internação por insuficiência cardíaca, internação para angioplastia coronariana ou morte cardiovascular.

Os resultados mostraram que, levando-se em conta as outras variáveis que poderiam estar relacionadas aos eventos, todos os 3 tipos de medidas de pressão foram úteis para prever as complicações; porém, a medida mais útil foi aquela obtida pelo MAPA; os dados das medidas residenciais pouco adicionaram às medidas de consultório, mas os dados do MAPA trouxeram uma previsão muito melhor de complicações.

Portanto, a medida mais “real” da pressão arterial é aquela obtida pela MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial de 24 horas).
Fontes:

http://www.medscape.com/viewarticle/826764

http://hyper.ahajournals.org/content/early/2014/05/19/HYPERTENSIONAHA.114.03292.abstract?sid=de2dd10b-0c3f-4b48-96da-d72b0666b276


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