Sofrer de gota oferece proteção contra Alzheimer?

A gota é uma doença comum, caracterizada por crises de artrite (dor em juntas) muito dolorosas, ocorrendo mais tipicamente na articulação que liga o pé ao primeiro dedo (“dedão”). A causa da gota é o acúmulo excessivo de ácido úrico dentro das articulações acometidas. Quem sofre de gota costuma ter níveis mais elevados de ácido úrico no sangue (fora das crises).

Autores norte-americanos levantaram a hipótese de que, por seus efeitos antioxidantes, o ácido úrico teria efeito protetor contra a doença de Alzheimer. A fim de testar essa hipótese, realizaram e publicaram no periódico Annals of Rheumatic Diseases uma interessante análise, utilizando-se dados da Health Improvement Network, uma base de dados eletrônica representativa de toda população do Reino Unido, de 1995 a 2013. Os pesquisadores localizaram os novos casos de gota e, para cada caso, parearam 5 pessoas sem gota, do mesmo sexo, idade e IMC (índice de massa corporal); depois, compararam a incidência de doença de Alzheimer entre os pacientes com gota e seus respectivos pares sem gota. Indivíduos que já sofriam de gota ou demência no início do acompanhamento não foram incluídos.

Ajustando a incidência de Alzheimer para tabagismo, uso de álcool, número de visita médicas, índice de privação social, doenças concomitantes e uso de medicação, os autores verificaram a chance de novos casos de Alzheimer foi 24% menor em pacientes que desenvolveram gota. Ao repetir o mesmo cruzamento de dados, porém trocando-se os pacientes com gota por pacientes com osteoartrite, não foi encontrada a mesma correlação com Alzheimer, o que indica que não é qualquer “dor nas juntas” que está relacionada a incidência menor dessa demência.

Os autores concluem que esta é a primeira evidência populacional de que gota tem associação inversa com Alzheimer (gota “protege” contra Alzheimer), suportando a hipótese de que o ácido úrico tem efeito neuroprotetor.

Sabendo-se que apenas uma pequena porção dos pacientes com ácido úrico elevado desenvolve gota (cerca de 10%), esse estudo traz uma possível implicação de que talvez seja melhor não reduzir os níveis de ácido úrico em pacientes que não sofrem de gota.

 

Fonte: http://ard.bmj.com/content/75/3/547.short?rss=1


  1. No Comments


  2. Leave a Reply